
Sim! Apesar de não aparentar à primeira vista, os pneus utilizados em um carro elétrico são bem diferentes dos utilizados por um veículo à combustão. E precisam ser, pois se não o fossem não conseguirão atender de forma segura aos requisitos de segurança exigidos pelo carro movido a eletricidade.
Como tudo na engenharia há vários fatores que explicam essa condição diferenciada do pneu para um VE. E o primeiro fator que diferencia esses pneus está relacionado ao maior torque produzido por um veículo elétrico e a forma como ele é entregue. Em um carro convencional o motor a combustão o motor precisa aumentar a rotação até atingir o ápice de torque. Isso faz com que a entrega de força para as rodas seja gradativa, permitindo ao pneu ir suportando gradualmente o aumento da tração. No caso do motor elétrico, devido ao seu aspecto construtivo, a geração de torque é muito mais elevada se comparado a um motor a combustão. Só isso já seria motivo suficiente para modificar a estrutura do pneu. Mas não é apenas a maior grandeza gerada é o problema. A forma como o torque é entregue também muda significativamente, sendo praticamente instantâneo, não precisando que o motor atinja rotações elevadas. Isso submete o pneu a um esforço intenso já nos primeiros instantes da aceleração, precisando lidar com forças muito mais vigorosas quando ainda está saindo da imobilidade.
Outro ponto que precisa ser considerado em um pneu de carro elétrico é o maior peso total do veículo. Isso se deve principalmente ao fato da bateria de alta tensão precisar ser um componente muito denso, capaz de armazenar muita energia, o que a torna grande em dimensões e bastante pesada. Essa massa adicional expõe todos os pneus do carro a um esforço de compressão muito maior, e os mesmos devem suportar essa carga sem apresentar deformação.
O torque instantâneo e elevado, somado ao maior peso do veículo exigiu dos engenheiros o redesenho da estrutura metálica interna do pneu o que o torna muito mais resistente. Porém, isso resolve apenas uma parte do problema, visto que os pneus ao girar produzem uma resistência ao próprio rolamento, o que impacta diretamente no alcance total do veículo. A solução foi optar por novas composições da borracha, capazes de reduzir essa resistência, diminuindo assim a perda de energia por histerese.
Mas há outro desafio a ser vencido. Em um carro a combustão, o próprio ruído do motor omite a percepção de barulho provocado pelo contato dos pneus com a pista, algo que se torna muito evidente em um veículo elétrico que praticamente não emite ruídos em seu deslocamento devido a forma silenciosa com o motor elétrico trabalha. A solução encontrada foi adicionar Sílica a composição da borracha, o que ajuda a reduzir os ruídos.
Então, diante do que foi exposto, está mais do que claro que um veículo elétrico exige um tipo diferente de pneu, com maior capacidade de suportar o torque elevado e instantâneo do motor elétrico, o maior peso do veículo, além de influenciar o mínimo possível no alcance do carro, mantendo ainda o mais baixo nível de ruído possivel.